«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

terça-feira, 30 de junho de 2015

ALERTA SOBRE O SITE DE BUSCAS "GOOGLE"

Estudo indica que Google manipula resultados de buscas

Ligia Aguilhar

Relatório diz que a empresa distorce resultados para favorecer seus produtos;
para Google, metodologia do estudo é falha
Professor Tim Wu - Universidade de Columbia e
ex-membro da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, sigla em inglês)

Um estudo divulgado nos Estados Unidos da América (EUA) concluiu que o Google manipula e distorce resultados de buscas para favorecer os próprios produtos. A análise foi feita pelos professores Michael Luca, da Harvard Business School, Tim Wu, da escola de direito da Universidade de Columbia, e por cientistas de dados do app de recomendações de serviços Yelp, um velho inimigo do Google.

A revelação chega num momento delicado, já que o Google está sendo processado na Europa por concorrência desleal e deve apresentar uma resposta sobre o assunto para a Comissão Europeia até o dia 17 de agosto.

O Yelp trava há anos uma batalha com o Google. Em 2011, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês), iniciou uma investigação sobre atitudes monopolistas e abusivas do Google após o Yelp acusar a empresa de exibir as resenhas e avaliações do serviço nos resultados de busca como se fossem suas, sem direcionar o usuário para o seu site, o que fazia a empresa perder audiência. A reclamação do Yelp teria levado o Google a posteriormente barrar a empresa nos resultados de busca.

O FTC encerrou a investigação em 2013, após fechar um acordo com o Google e estabelecer que a companhia não poderia bloquear sites especializados como o Yelp.

Agora, Tim Wu, que além de um advogado respeitado é ex-membro do FTC, aparece como autor de um estudo que vai contra o Google, apesar de no passado ter dado pareceres favoráveis ao gigante das buscas no passado.

“Quando os fatos mudam, suas conclusões podem mudar também”, disse Wu em entrevista ao site norte-americano Re/Code. “A mais surpreendente e chocante descoberta é que o Google não está oferecendo o seu melhor produto. Na verdade, a empresa está apresentando uma versão degradada do seu produto e que é intencionalmente pior para os seus consumidores”, afirmou.

Procurado pelo Link, o Google emitiu uma nota afirmando que o Yelp tenta usar esse tipo de argumento contra a empresa há cinco anos. “Este último estudo foi baseado em uma metodologia falha, que focou somente em alguns tipos de resultados escolhidos a dedo. No Google, nós estamos focados em entregar os melhores resultados para nossos usuários.”

A pesquisa se baseia em dados do Yelp. Ao fazer uma busca no Google, o usuário pode encontrar avaliações sobre um estabelecimento ou a indicação de onde encontrar determinado serviço em um espaço no topo da página chamado de Onebox. O Google nega que nesses resultados privilegie informações de serviços próprios da marca, como o Google+ ou o Google Shopping.
Exemplos de resultados exibidos numa pesquisa através do Google.
O site propõe imagens, vídeos e notícias a partir da busca efetuada.

O estudo, porém, diz que o Google está mentindo. O Yelp criou um sistema para fazer testes A/B e recriar as buscas feitas pelo o algoritmo do Google sem privilegiar os resultados de produtos da empresa.

Eles identificaram que ao realizar uma busca por “pediatras em NY” [New York], por exemplo, o Google exibiu 31 resultados, sendo todos avaliações feitas por meio da rede social Google+. Já na busca feita pelo sistema criado pelo Yelp, foram exibidos 719 resultados, nenhum deles relacionados ao Google+.

A pesquisa mostra que em 45% dos casos os usuários tendem a clicar nos resultados exibidos no OneBox, que aparece no topo do site, em vez de descer pela página para visualizar outros resultados. A conclusão é que o Google induz o usuário a escolher serviços que nem sempre são os melhores.

“O Google parece estar estrategicamente implantando a sua busca universal de uma maneira que degrada o produto para diminuir e excluir quem desafia seu paradigma de busca dominante”, afirma o estudo.

Há pontos sensíveis no relatório. O Yelp não explica com detalhes a metodologia usada e os pesquisadores Wu e Luca foram pagos pela empresa, que é inimiga do Google, para participar da pesquisa.

Em março, no entanto, o The Wall Street Journal publicou uma matéria afirmando ter descoberto um relatório interno do FTC elaborado na época da investigação da empresa e que concluía que o Google abusa de seu poder em pesquisa e estava causando “dano real para os consumidores e para a inovação nos mercados de busca e publicidade online”.

Fonte: ESTADÃO.COM.BR – link – 29 de junho de 2015 – 20h51 – Internet: clique aqui.

A CRISE HÍDRICA: SOLUÇÕES ADIADAS!

Sabesp adia estações de reúso de água

Fabio Leite

Tratamento de esgoto para consumo foi anunciado pelo governador Alckmin
em novembro, mas agora não tem prazo para sair do papel 
Governador Geraldo Alckmin (PSDB - S. Paulo) visitando obra da Sabesp

Anunciada há cerca de oito meses pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) como uma das soluções para a crise hídrica paulista, a construção de duas Estações de Produção de Água de Reúso (Epar) foi adiada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O projeto de tratar 3 mil litros por segundo de esgoto para aumentar a oferta de água para abastecimento havia sido prometido para o fim deste ano, mas agora não tem prazo para sair do papel.

Segundo a Sabesp, “a postergação do projeto não tem nenhuma relação com corte de investimento em saneamento”. Após registrar queda de R$ 1 bilhão em seu lucro em 2014, a estatal anunciou redução de 26% nos investimentos previstos para 2015 em relação ao ano passado. Só em coleta e tratamento de esgoto, o corte será de 55%. Para a empresa, outras obras já concluídas ou em construção “podem render resultados mais eficientes com custos menores e entrega em menos tempo”.

Na lista estão:
  • a captação de 1 mil litros por segundo do Rio Guaió para jogar no Sistema Alto Tietê, entregue nesta segunda-feira, 29 de junho, após quase um mês de atraso;
  • a ampliação em 1 mil l/s na capacidade de produção de água do Sistema Guarapiranga, prevista para julho; e
  • a transposição de 4 mil l/s do Sistema Rio Grande, braço limpo da Billings, para a Represa Taiaçupeba/Alto Tietê, cuja entrega foi adiada de maio para setembro.
“Essas totalizam mais 6 mil l/s neste ano, enquanto que as Epars contribuiriam juntas com 3 mil l/s”, afirma a Sabesp. A empresa diz que ainda estuda a captação de mais 2,5 mil litros por segundo do Rio Itapanhaú, que nasce na Grande São Paulo e deságua no Oceano Atlântico, em Bertioga. Cada 1 mil litros por segundo é suficiente para abastecer 300 mil pessoas.

Mentalidade

As duas estações foram anunciadas por Alckmin em novembro. A Epar Guarapiranga seria construída às margens do Rio Pinheiros e produziria até 2 mil litros por segundo de água de reúso do esgoto gerado na zona sul, que seriam despejados na represa para passar por novo tratamento antes do consumo.

Outra unidade ficaria em Barueri, na Grande São Paulo, e produziria mais 1 mil litros por segundo para serem lançados no Sistema Baixo Cotia, um manancial que abastece a região. O método é conhecido como reúso potável indireto, diferentemente do reúso direto que está sendo estudado pela empresa de saneamento de Campinas, no qual a água de reúso é lançada diretamente na rede de abastecimento.

Para o Diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água da USP, Ivanildo Hespanhol, um dos projetos da Sabesp era realmente “antieconômico” – o da Guarapiranga. Mas, para ele, é viável produzir até 10 mil l/s de água de reúso a custo baixo na Grande São Paulo. “O problema é a mentalidade. Não querem fazer reúso.”

Fonte: O Estado de S. Paulo – Metrópole – Terça-feira, 30 de junho de 2015 – Pg. A12 – Internet: clique aqui.

IMPERDÍVEIS: 90 sites para baixar livros

Preparamos uma lista com 90 sites
para você passar horas lendo

Se você não sabe onde encontrar bons títulos, confira a seguir uma lista com 90 sites para você acessar e encontrar os mais variados gêneros literários.

A maioria desses sites disponibiliza obras em inglês. Mas há alguns em outras línguas.

Clique aqui para ter acesso à lista de sites onde você poderá ler livros online ou baixá-los. Nem sempre as duas opções estão disponíveis.

Há, também, mais de 2 mil livros grátis nesta outra lista, clique aqui.

Bom proveito! Boa leitura e pesquisa!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FALTA TRANQUILIDADE PARA PENSAR, VIVEMOS NO TEMPO DA ANSIEDADE!

Ansiedade sem aplicativo

Oswaldo Giacoia Junior*

Para filósofo, pseudo urgência das coisas suprimiu o tempo do pensar.
"A civilização barbarizou-se, por falta de tranquilidade" 
A mil:
Tudo deve ser urgente, pra já!
O muito falar, a tagarelice e necessidade imperiosa de dizer algo é manifestação
da indigência (pobreza) de nossas mentes!
Nosso rumor impede-nos de encontrarmos conosco mesmos.
O ritmo da modernidade é marcado pela intensificação da agitação em escala global, do ativismo e do falatório, característicos do estilo de vida em sociedades tecnologicamente desenvolvidas. Nossa cadência é determinada pela velocidade operante nos circuitos informativos e comunicacionais nos quais estamos enredados. Como disse o filósofo Adauto Novaes, somos uma civilização de falastrões, que se obstina em Facebooks, celulares, conversas virtuais, tuítes (escritos na cadência da fala; ao contrário de Macunaíma, já não temos mais que aprender o português escrito e o português falado).
Nunca se falou e escreveu tanto, multiplicando-se a injunção à bavardage [tagarelice, falatório, conversa fútil] pelos meios e canais mais diversos, acelerando vertiginosamente a temporalidade e proliferando espaços imateriais de fala e escrita conectados em redes sociais de amplíssimo alcance. O WhatsApp, em especial, tornou-se mania, uma irresistível solicitação que nos mantém permanentemente online, fazendo desaparecer nossas horas de estudo e contemplação, alterando nossas noções de urgência e emergência.

O filósofo Friedrich Nietzsche ajuda-nos a refletir sobre essa compulsão à velocidade comunicacional e ao formigamento dos discursos vazios em dimensão planetária. Para uma percepção refinada e extemporânea como a de Nietzsche, essa curiosidade generalizada, esse anseio pela novidade, que torna tudo imperiosamente urgente, é um sintoma de:
  • corrupção do gosto e embotamento de corações e mentes,
  • indício de uma ausência de pensamento,
  • em que só há percepção para o elemento quantitativo,
  • para a maximização de performances,
  • numa alucinada e constante busca de satisfações imediatas.


Em seu tempo, Nietzsche já discernira esse traço como um ingrediente do american way of life [estilo americano de vida]: «Há uma selvageria pele vermelha, própria do sangue indígena, no modo como os americanos buscam o outro. E a asfixiante pressa com que trabalham - o vício peculiar ao Novo Mundo - já contamina a velha Europa, tornando-a selvagem e sobre ela espalhando uma singular ausência de espírito. As pessoas já se envergonham do descanso. A reflexão demorada quase produz remorso. Pensam com o relógio na mão enquanto almoçam, tendo os olhos voltados para os boletins da bolsa. Vivem como alguém que a todo instante poderia “perder algo”. “Melhor fazer qualquer coisa do que nada”. Esse princípio é também uma corda, boa para liquidar toda cultura e gosto superior».

Parar para pensar sobre isso é, paradoxalmente, uma tarefa urgente, na medida em que a palavra urgência nos convoca para uma retomada do sentido autêntico de necessidade. A racionalidade instrumental embutida nessas formas de comunicação e vida equaciona, em sua lógica estreitamente binária, urgência e pressa, açodamento e procura reiterativa por opções de consumo e prazer. É necessário resgatar a memória daquilo que a nossa linguagem pensa com a palavra urgentia. Seu etmo [vocábulo do qual se origina outra palavra] em urgeo/urgere significa originariamente operar, trabalhar. Trata-se, pois, de um encargo, não de um conforto. É uma tarefa do pensamento que, fiel à sua origem, não se distingue da ação. Nada parecido com o ativismo frenético e o falatório vão. Fazer a experiência da urgência significa entrar em correspondência com aquilo que urge, com a necessidade constringente, que pressiona, comprime, faz um cerco, onera, sobrecarrega, mas também impele, impulsiona, convoca. Essa força é também o compromisso com o dar-se tempo para pensar a respeito da condição do homem no mundo, portanto, do compromisso com sua liberdade e sua dignidade ensombrecidas.

Como, porém, recuperar essa concepção de necessidade quando somos concitados [instigados, estimulados] a modificar tecnologicamente até mesmo aquilo que outrora reconhecíamos como elementarmente necessário, como o sono? Experimentos avançados são feitos no sentido de diminuir drasticamente sua necessidade, com o propósito de manter ativos, ocupados e rentáveis, na maior parte do tempo possível, indivíduos e grupos que podem desempenhar funções socialmente valorizadas. O exemplo mais eloquente são tentativas de limitar a necessidade de sono para adestrar soldados capazes de permanecer em vigília por dias seguidos, sem necessidade do repouso do sono. Eles seriam aptos a combater durante a noite. Assim se extrairia o máximo rendimento e utilidade de sua atuação. Nessa linha, nada impede que, além de soldados programados para guerrear como máquinas, venhamos a produzir também consumidores capazes de manter-se em ação 24 horas por dia, durante a maior parte dos 365 dias do ano.
OSWALDO GIACOIA JUNIOR
Professor de Filosofia na UNICAMP
Autor deste artigo

Na persecução desse objetivo aliam-se as engenharias de ponta - nos domínios da informática - com pesquisas sobre inteligência artificial, neurofisiologia e psicologia experimental, genética, ciências do comportamento e cognição, nanotecnologia. Busca-se reconfigurar a consciência para que ela ultrapasse seu natural atrelamento aos cinco sentidos e se conecte a redes neurais, ligando o sistema neurológico a redes computacionais, a bancos de registro e processamento de informações. Não tem sentido demonizar essas mudanças e as conquistas da racionalidade tecnocientífica, como se fossem portadoras do infortúnio. O problema reside em nossa atitude face a elas.

Hoje a regra é dada pela ansiedade, que assume proporções exponenciais, a ponto de uma cultura não poder mais amadurecer seus frutos por excesso de rapidez no fluxo do tempo. A civilização barbarizou-se, por falta de tranquilidade. Nunca homens e mulheres ativos, isto é, intranquilos e permanentemente excitados, valeram tanto. Entretanto, no fundo da alma do homem hiperativo disfarça-se a indolência, sempre à cata de novas distrações, uma resignação que o impede de entrar em contato consigo mesmo e com os outros. O primado do rentável e do útil, imposto a qualquer custo, exige uma equação cerrada entre operação e utilização integral do tempo. A rapidez das operações foi transformada em imperativo categórico, que suprime o «tempo de pensar». Nossa loquacidade [verborreia, facilidade para falar] é signo de indigência mental.

Essa barbárie civilizada denuncia-se na relação da arte com a vida moderna. A esterilidade que nos assola manifesta-se na relação inautêntica, consumista com as obras de arte, cuja fruição exige, antes de tudo, repouso, sossego e paz no corpo e na alma. «Nós temos a consciência de uma época laboriosa. Isso não nos permite dedicar à arte as melhores horas e manhãs, ainda que essa arte seja a maior e mais digna», afirma Nietzche. «Para nós ela faz parte do ócio, da recreação. Damos-lhe o resto de nosso tempo, de nossas forças. Esse é o fato mais geral que alterou a posição da arte diante da vida: ao fazer grandes exigências de tempo e energia aos seus receptores, ela tem contra si a consciência dos laboriosos e capazes.» A agitação verborrágica, no entanto, não é sequer ocupação. Considerada em sua verdade, é apenas dissipação denegada, um fazer de conta.

Esse diagnóstico cultural inclui também uma apreciação afirmativa do ócio criativo, uma chamada de atenção para a necessidade do inútil em estrita oposição à incontinência do entretenimento verborrágico, sempre ocupada e curiosa. «Há algo de nobre no ócio e no lazer. Se o ócio é realmente o começo de todos os vícios, então ao menos está bem próximo de todas as virtudes; o ocioso é sempre um homem melhor do que o ativo. Mas não pensem que, ao falar de ócio e lazer, estou me referindo a vocês, preguiçosos», continua Nietzsche.

O filósofo não se dirige aos apressados, mas aos que sabem e podem calar sem ser assolados pelo tédio. Só é capaz de silêncio quem pode falar, quem tem linguagem. Quem nunca diz nada, assim como quem nada tem a dizer, também não pode guardar silêncio. Ao silenciar, permanecemos reticentes, porque nos guardamos para dizer algo, algo que temos a dizer, e que consideramos ter significação e importância. Essa é a lição que colhemos em João Guimarães Rosa, que sabia de si. “Ser dono definitivo de mim, era o que eu queria, queria. Existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver - e essa pauta cada um tem -, mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. A gente quer se afastar de si próprio... pra isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais...”.

* Oswaldo Giacoia Junior é filósofo, professor titular da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas – SP) e autor, entre outros, de Nietzsche: o humano entre a memória e a promessa (Ed. Vozes).

Fonte: O Estado de S. Paulo – Suplemento ALIÁS – Domingo, 28 de junho de 2015 – Pg. E2 – Internet: clique aqui.

AUMENTAR OS JUROS ADIANTA NO COMBATE À INFLAÇÃO?

O Banco Central deve subir o juro 
para controlar a inflação?

N Ã O

Fabio Silveira
Diretor de pesquisa econômica da GO Associados
 
FABIO SILVEIRA
Economista - GO Associados
A eficácia da atual política de controle da inflação brasileira deve ser questionada. Novos acréscimos dos juros básicos em pouco contribuirão para levar o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) a convergir para o centro da meta anual de inflação (4,5%) em 2016.

Nos últimos 25 meses, a taxa básica de juros, a Selic, avançou 6,5 pontos porcentuais, atingindo o patamar de 13,75% ao ano. Nesse mesmo intervalo, a expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu de 5,6% para 6,1%. A ideia de focar o controle dos preços apenas na utilização crescente da restrição monetária chegou ao limite.

Concentradora de renda, a contínua majoração da Selic vem perdendo eficácia. Pior. No lugar de apontar para baixa consistente dos preços, vai comprometer a recuperação econômica esperada para 2017! Cabe um alerta: o PIB brasileiro, em 2015, já está fadado a ter queda da ordem de 2%, a maior desde 1990; e, no próximo ano, deve crescer menos do que 1%.

O mais razoável é interromper o atual ciclo de aperto monetário e esperar os efeitos contracionistas das últimas majorações de juros sobre a demanda agregada. Isso porque, além da relativa estabilidade cambial observada desde março, a perspectiva de novo aprofundamento da recessão será inócua para aliviar parte da alta dos preços. Principalmente, daqueles que continuam submetidos à lógica da indexação, majorados com base na inflação passada e retroalimentando a inflação futura.

Há muitos preços, tarifas e contratos que são corrigidos pela variação anual do IGP (Índice Geral de Preços), cuja elevação é provocada, em boa medida, por choques de oferta agrícola (secas) e de energia (racionamentos).

Ao mesmo tempo, é fundamental que as autoridades monetárias adotem uma agenda de ações de curto, médio e longo prazos, procurando desmontar, paulatinamente, a utilização dos mecanismos de indexação que há quase 60 anos vicejam no sistema brasileiro de preços. O cumprimento dessa “missão” exigirá muita criatividade e perseverança. E convém ser iniciado agora.

S I M

Alessandra Ribeiro
Economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada
ALESSANDRA RIBEIRO
Economista - Tendências Consultoria Integrada

Infelizmente, o remédio é amargo, mas a direção da política monetária está correta. É fato que uma parte da conta a ser paga, especialmente neste ano, advém da própria leniência do Banco Central (BC) com a inflação. Entre 2011 e 2014, o IPCA médio foi de 6,2%, mesmo com todo o represamento das tarifas, com destaque para energia elétrica, gasolina e transporte público.

Neste ano, a inflação está sendo afetada não só pelo “desrepresamento” dos preços administrados, mas também pela depreciação do câmbio que afeta a dinâmica dos preços livres. A Tendências projeta alta de 15,2% para o conjunto de preços regulados, o que inclui a expectativa de elevação de 57% nos preços de energia elétrica. Diante desses ajustes, o IPCA deve subir 8,9% este ano, 2,4 pontos porcentuais acima do teto da meta. Nesse contexto, ao elevar a taxa de juros, o BC está tentando limitar a propagação desses ajustes de preços, tendo em vista o objetivo de entregar a inflação na meta de 4,5%.

A política monetária atua por meio de três canais: expectativas de inflação, taxa de câmbio e atividade econômica. É fato que, para um BC com praticamente a mesma equipe e o resultado entregue no passado, a batalha com as expectativas é mais árdua. O BC precisa sustentar um tom bem mais duro no combate à inflação, acompanhado de medidas concretas como a elevação da Selic, em contraposição ao que seria necessário a um BC com credibilidade.

Sem sombra de dúvida que há custo e ele é elevado. A atividade tem de enfraquecer ainda mais e o desemprego aumentar. Mas é melhor que isso seja feito agora para concentrar o “pagamento da conta” no curto prazo, criando condições para a economia reagir mais à frente.

Ainda que a convergência para o centro da meta ao fim de 2016 seja pouco provável, o BC deve ser bem-sucedido no sentido de entregar uma inflação bem menor, de 5,4%, o que embute uma expectativa de desaceleração de preços livres de 7% para 5,3% ao fim de 2016. A inflação deve convergir para a meta em 2017, o que abre espaço para o início do ciclo de queda dos juros a partir de meados do próximo ano.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia – Domingo, 28 de junho de 2015 – Pg. B3 – Internet: clique aqui.

Eles querem, de fato, combater a corrupção?

Lula põe PT contra Lava Jato

Editorial

O tom das críticas do PT à Operação Lava Jato
mostra a crescente preocupação de Lula com investigações
que se aproximam dos agentes políticos.
Juiz federal Sergio Moro, titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR), responsável pela Operação Lava Jato

Não demorou muito a reação do PT à prisão do dono da Odebrecht, bom amigo de Lula. Depois de Rui Falcão ter recebido instruções precisas do ex-presidente, a Executiva petista reuniu-se na quinta-feira em São Paulo e aprovou uma resolução. Nela, o Partido dos Trabalhadores faz a defesa das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobrás, sob o falacioso argumento de que as prisões “sem fundamento” da Operação Lava Jato são “arbitrárias” e o “prejulgamento” das construtoras terá consequências negativas para a economia nacional, com a paralisia de obras de infraestrutura e consequente aumento do desemprego.

Para obedecer ao chefe, a direção do PT finge ignorar que as “consequências para a economia nacional” já são uma amarga realidade, principalmente no que diz respeito à taxa crescente de desemprego. E isso não por culpa da Lava Jato, e sim da incompetência e irresponsabilidade do governo petista. A grande maioria, 65% dos brasileiros, concorda com isso, como revelam as pesquisas.

À suspeita de que tem sido beneficiado pela generosidade de prósperos empreiteiros cuja amizade conquistou quando estava na Presidência – exemplo notório de Marcelo Odebrecht –, Lula e seus defensores respondem que hoje ele é apenas um cidadão comum, ex-presidente da República que tem importantes e bem-sucedidas experiências políticas e sociais a transmitir aos interessados e por isso aceita ser pago por quem se dispõe a patrocinar suas palestras mundo afora. É apenas trabalho que não tem nada a ver com o governo. Exatamente como acontece, por exemplo, com ex-presidentes americanos.

São argumentos falaciosos, como demonstra essa última resolução do PT em defesa das empreiteiras. Lula não é um cidadão comum – logo quem! –, mas um político muito ativo que tem forte influência no governo e no partido que o sustenta. Tornou-se lobista. Afinal, seus bons amigos empreiteiros não são generosos mecenas interessados em disseminar ideias progressistas pelo mundo, mas negociantes que sabem muito bem onde vale a pena colocar seu dinheiro. É óbvio, portanto, que, ao alinhar o PT na defesa das empreiteiras envolvidas até o pescoço no propinoduto da Petrobrás, Lula está preocupado apenas em manter a fidelidade das relações mútuas com os bons amigos que tem no mundo dos negócios.

O combate à corrupção, sintomaticamente, nunca foi tema relevante no discurso do dono do PT, ao contrário do que acontece com Dilma Rousseff, que não perde oportunidade para proclamar sua “luta sem tréguas” contra os malfeitos na vida pública. E o PT, por sua vez, é useiro e vezeiro em gabar-se de que nunca antes tanta “gente importante” foi parar na cadeia. É propaganda enganosa. Observe-se que recentes manifestações de Lula, obviamente entre quatro paredes, contradizem o discurso de Dilma e do PT. O ex-presidente tem feito pesadas críticas ao ministro da Justiça a respeito das investigações da Lava Jato, reclamando de que José Eduardo Cardozo “perdeu o controle” sobre a Polícia Federal (PF), a ele subordinada. Seria o caso de inferir dessas declarações que, se Lula ainda fosse presidente, aos policiais federais e aos procuradores da República já teria sido ordenado que cuidassem da própria vida ou investigassem a oposição?

O juiz Sergio Moro, cujo rigor na coordenação da Lava Jato incomoda quem tem culpa no cartório, tornou-se alvo da mesma campanha de satanização que Lula e o PT conduziram contra o ministro Joaquim Barbosa no episódio do mensalão. A resolução petista de quinta-feira não cita nomes, mas pega pesado: “Se as prisões preventivas sem fundamento se prolongarem (...), não é a corrupção que está sendo extirpada. É um estado de exceção sendo gestado”. E, para não perder a oportunidade, os petistas protestaram também, mais uma vez, contra a prisão “inaceitável” de seu ex-tesoureiro João Vaccari Neto, personagem que aparentemente tem muito a dizer, a julgar pelo enorme empenho do partido em reverenciá-lo.

O tom das críticas do PT à Operação Lava Jato mostra a crescente preocupação de Lula com investigações que se aproximam dos agentes políticos. É por isso que o ex-presidente decidiu tomar “providências”, acusando o governo Dilma de negligência e açulando o PT contra o juiz Sergio Moro e tudo o que possa representar uma ameaça ao seu direito de ir e vir.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e Informações – Domingo, 28 de junho de 2015 – Pg. A3 – Internet: clique aqui.

POLÍTICA: O QUE VEM POR AÍ?

O futuro já começou

Dora Kramer

Lula articula novo partido e PMDB fala com Serra sobre candidatura em 2018
José Serra (Senador pelo PSDB-SP) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
prováveis protagonistas do jogo eleitoral em 2018?

É cedo, mas antes que seja tarde demais os protagonistas da cena política já movem suas peças a fim de garantir posições favoráveis na largada para o jogo eleitoral de 2018.

Ao que se desenha no horizonte pode vir novidade por aí, quebrando a habitual dobradinha entre PT e PSDB. Há dois movimentos importantes:

1º) a articulação do ex-presidente Luiz Inácio da Silva em torno de um novo partido para reunir as forças de esquerda e
2º) a decisão do PMDB de deixar de lado o papel de inquilino do poder de turno e tentar eleger um presidente da República.

Pela primeira vez em muitos anos, cerca de 20, o PMDB parece falar sério quando suas lideranças – entre elas o vice-presidente Michel Temer – dizem que o partido terá candidatura própria à Presidência da República.

Tão sério que a cúpula pemedebista tem um nome em vista e já está com o roteiro do desembarque do governo federal pronto. O candidato considerado ideal nessas conversas é o senador tucano José Serra: seria a união de um nome de projeção nacional com o partido mais bem estruturado em todo o País.

Serra, a respeito, não confirma nem desmente. Silencia. Mas o autodenominado “grupo pensante” do PMDB – onde figuram inclusive atuais ministros – fala, e muito, no assunto, apontando as “parcerias” que o tucano vem fazendo com o partido em torno de projetos no Senado como o embrião de uma possível união mais estável.

Os pemedebistas partem do princípio de que a aliança com o PT acabou. Aliás, raciocinam que o próprio PT acabou-se junto à opinião pública e que não será jogador competitivo em 2018. Na avaliação dos ainda parceiros do governo, o ex-presidente Lula não será candidato.

Acreditam que o PSDB “tem teto” – quer dizer, eleitorado limitado – e que escolherá o candidato a presidente entre o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves; apostam, diga-se, na escolha do paulista. Muito bem, nessa altura da história é que entraria José Serra com sua assumida vontade de presidir o Brasil e a oportunidade se apresentando fora de seu partido atual.

Internamente o que se diz é que não haveria problema de disputa, pois nenhum dos nomes que se especulam (Temer, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o deputado Eduardo Cunha) seria páreo para Serra em termos de densidade eleitoral. Se for para competir com chance, a cúpula tem certeza de que o partido se une.

Paralelamente à aproximação com o tucano, os pemedebistas põem em prática o ritual do desembarque. Começou com as reiteradas afirmações por parte do presidente da Câmara de que a aliança entre PT e PMDB está vivendo seus últimos momentos. O senhor e a senhora podem reparar, não há desmentidos quanto a isso.

O vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, deixa que falem. Ele mesmo já defende em público a candidatura própria e será, no momento apropriado, o porta-voz do comunicado à presidente Dilma Rousseff, de que a franquia PMDB vai trabalhar em causa e casa próprias.

O partido como um todo vai oficializar essa decisão em setembro num congresso convocado, em tese, para discutir as eleições municipais do ano que vem. Na prática, porém, a ideia é provocar uma manifestação coletiva de desagrado com a aliança e em prol do projeto solo no âmbito nacional.

Depois disso, momento haverá em que os ministros do partido deverão deixar os cargos. Pragmática, a direção do partido pretende que isso ocorra depois das eleições municipais. Mas não muito depois. Logo em seguida seria o ideal. Afinal, os ministérios sempre são de alguma utilidade na campanha eleitoral. Isso eles não dizem; depreende-se pelo “timing” pretendido.


Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Domingo, 28 de junho de 2015 – Pg. A6 – Internet: clique aqui.

sábado, 27 de junho de 2015

Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos – Homilia

Evangelho: Mateus 16,13-19


Naquele tempo, 16,13 chegando ao território de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?”.
14 Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas”.
15 Disse-lhes Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?”.
16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”.
17 Jesus então lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.
18 E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
19 Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA


SÓ JESUS EDIFICA A IGREJA

O episódio tem lugar na região pagã de Cesareia de Filipe. Jesus se interessa por saber aquilo que se diz entre o povo sobre a sua pessoa. Depois de conhecer diversas opiniões que existem no povo, dirige-se diretamente aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que eu sou?».

Jesus não lhes pergunta o que eles pensam sobre o sermão da montanha ou sobre sua atuação curadora nos povoados da Galileia. Para seguir Jesus o decisivo é a adesão à sua pessoa. Por isso, quer saber o que captam nele.

Simão toma a palavra em nome de todos e responde de maneira solene: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus não é um profeta a mais entre os outros. É o último Enviado de Deus ao seu povo eleito. Mais ainda, é o Filho do Deus vivo. Então Jesus, depois de felicitá-lo porque esta confissão somente pode provir do Pai, lhe diz: «Agora eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja».

As palavras são muito precisas. A Igreja não é de Pedro, mas de Jesus. Quem edifica a Igreja não é Pedro, mas Jesus. Pedro é simplesmente «a pedra» sobre a qual se assenta «a casa» que está construindo Jesus. A imagem sugere que a tarefa de Pedro é dar estabilidade e consistência à Igreja: cuidar para que Jesus a possa construir, sem que seus seguidores introduzam desvios e reduções.

O Papa Francisco sabe muito bem que sua tarefa não é «fazer as vezes de Cristo», mas cuidar para que os cristãos de hoje se encontrem com Cristo. Esta é sua maior preocupação. Desde o começo de seu serviço como sucessor de Pedro dizia assim: «A Igreja deve levar a Jesus. Este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer da Igreja não levar a Jesus, será uma Igreja morta».

Por isso, ao tornar público seu programa de uma nova etapa evangelizadora, Francisco propõe dois grandes objetivos. Em primeiro lugar, encontrarmo-nos com Jesus, pois «ele pode, com sua novidade, renovar nossa vida e nossas comunidades... Jesus Cristo pode também romper os esquemas aborrecidos nos quais pretendemos fechá-lo».

Em segundo lugar, considera decisivo «voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, pois, sempre que o fazemos, brotam novos caminhos, métodos criativos, sinais mais eloquentes, palavras carregadas de renovado significado para o mundo atual». Seria lamentável que o convite do Papa para impulsionar a renovação da Igreja não chegasse até os cristãos de nossas comunidades.


OUVIR O OUTRO

Para crescer na fé não basta ler livros sobre temas religiosos nem escutar as palavras e discursos que pronunciam outros que creem, ainda que estes sejam eclesiásticos [padres, frades, monges, bispos etc.] de prestígio.

O importante é saber escutar, como Pedro, o que nos revela interiormente não alguém de carne e osso, mas o Pai que está no céu e no íntimo de nós mesmos.

Escutar Deus sempre é um dom, algo que nos é presenteado gratuitamente, porém, ao mesmo tempo, é algo que deve ser recebido e preparado por nós.

A nós se pede para removermos os obstáculos que nos impedem de estar atentos e em silêncio. Descermos ao fundo de nós mesmos e da vida. Superar a dispersão e a superficialidade. Consequentemente, deixar que em nosso interior «aconteça algo».

Porém, isto é possível alimentando-nos, exclusivamente, por jornais, rádio ou televisão que não nos permitem escutar em nós outra voz que não seja aquela do ruído dos acontecimentos diários?

Isto é possível quando vivemos ocupados por essa atividade tão absorvente, a qual é o meio mais eficaz, na realidade, para esquecermos quem nós somos, o que buscamos e para onde caminhamos?

Cada vez há mais coisas que temos de fazer e os compromissos que temos de atender. Talvez nos programamos inconscientemente assim com a oculta intenção de carecer de tempo para pararmos.

Vivemos guiados por um slogan verdadeiramente perigoso: «Apresse-se», o que, no fundo, quer dizer «não penses», «não escutes», «viva atordoado», «fuja fora de si mesmo».

Consciente desta nossa vida tão agitada e atropelada, atrevo-me, no entanto, a recolher aqui o convite tão conhecido de Santo Anselmo em seu Proslogion porque o considero de total atualidade.

Alguns lerão estas frases apressadamente e terão a impressão de que as entendeu porque compreendeu a conexão entre umas palavras e outras.

Entretanto, somente entenderá essas palavras quem ler nelas um convite a viver em sua própria experiência o que essas palavras sugerem:

«Olá, homem, deixa por um momento tuas ocupações habituais;
entra por um instante em ti mesmo, longe do tumulto de teus pensamentos.
Joga para fora de ti as preocupações opressoras;
afasta de ti tuas inquietações trabalhosas.
Dedica algum tempo para Deus
e descansa ao menos um momento em Sua presença.
Entra no aposento de tua alma;
exclui tudo, exceto Deus e o que possa ajudar-te a buscá-Lo;
e assim, fechadas todas as portas, vai atrás d’Ele.
Diz a Deus: Busco o Teu rosto; Senhor, anseio por ver o Teu rosto».

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol – Sopelana (Bizkaia) – Espanha – J. A. Pagola – Ciclo A – Internet: clique aqui.

Quem mais está sendo vítima do terrorismo?

O terrorismo não é o que parece

Moisés Naím* 
Os agentes da polícia cercam um homem suspeito
de estar envolvido em um ataque a um hotel à beira-mar em Sousse (Tunísia 26 de junho de 2015).
Pelo menos 39 pessoas, incluindo turistas estrangeiros, foram mortos
quando pelo menos um atirador abriu fogo em um hotel à beira-mar no resort popular de Sousse.
REUTERS / AMINE BEN AZIZA
Foi uma sexta-feira de terror. Num hotel na Tunísia, um terrorista assassinou turistas. No Kuwait, um homem-bomba atacou uma mesquita xiita. O Estado Islâmico assumiu a autoria da matança. Na França, uma pessoa foi decapitada numa usina de gás e o suspeito teria vínculos com grupos muçulmanos radicais. Ainda não há evidências de que os atentados tenham sido coordenados. No entanto, são claros exemplos de uma tendência: o terrorismo islâmico é uma ameaça que vem se aguçando. Mas será que esses ataques são a confirmação da teoria do "choque de civilizações", popularizada por Samuel Huntington no início dos anos 90?

Segundo o professor de Harvard, uma vez esgotado o confronto ideológico entre comunismo e capitalismo, os principais conflitos internacionais surgiriam entre países com diferentes identidades culturais e religiosas. Para muitos, os ataques da Al-Qaeda e as guerras no Afeganistão e no Iraque e o surgimento do Estado Islâmico confirmam esta visão. Mas, na realidade, o que ocorreu é que os conflitos se deram mais dentro das civilizações do que entre elas. Os noticiários e os debates fazem acreditar que o conflito mais sangrento do século 21 é o entre muçulmanos radicais e os que não o são.

Mas não é assim. As estatísticas mostram que esta é uma visão errada e os terroristas islâmicos assassinaram mais de seus correligionários do que ninguém. A briga entre xiitas e sunitas continua produzindo vítimas, em sua maioria muçulmanas. Por outro lado, também é falso que nos Estados Unidos da América (EUA) os principais atentados tenham sido cometidos por muçulmanos radicais. São americanos racistas os responsáveis pela maior quantidade de mortes em atos terroristas no país. As estatísticas são estarrecedoras. Segundo o Índice de Terrorismo Global, em 2013, morreram quase 18 mil pessoas em ataques terroristas - 82% no Iraque, Afeganistão, Paquistão, Nigéria e Síria.

Outro estudo, da New America Foundation, revela que, desde o 11 de Setembro, as 48 mortes causadas por racistas e outros extremistas não muçulmanos nos EUA foram o dobro das provocadas por muçulmanos no país. Além disso, os ataques terroristas nos EUA são relativamente pouco frequentes. O terrorismo não vai desaparecer. O importante é combatê-lo com base em realidades.

* Moisés Naím é considerado um dos mais influentes pensadores da área da política, economia e negócios internacionais. Ministro do Comércio e da Indústria da Venezuela no fim dos anos 1980, ele foi editor, por 14 anos, da revista Foreign Policy. É, atualmente, membro do Carnegie Endowment for International Peace.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Internacional – Sábado, 27 de junho de 2015 – Pg. A18 – Internet: clique aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O que esperar do próximo Sínodo sobre a família?

Instrumentum laboris do Sínodo:
muitas confirmações, algumas aberturas, tanta incerteza

Luca Kocci
Adista
23-06-2015

Se na assembleia ordinária do Sínodo dos bispos sobre a família programada para outubro próximo houver alguma abertura, provavelmente ela dirá respeito apenas à situação dos divorciados em segunda união e, eventualmente, à sua admissão, a ser avaliada caso a caso, aos sacramentos. 
Apresentação do "Documento de Trabalho" (Instrumentum laboris) do Sínodo dos Bispos sobre a Família.
Da esquerda para a direita, temos:
cardeal Péter Erdö, cardeal Lorenzo Baldisseri, padre Federico Lombardi e Dom Bruno Forte.
Mas, sobre todas as outras "questões sensíveis" (coabitação, uniões civis, casais homossexuais, contracepção), as possibilidades de qualquer atualização do magistério parecem bastante remotas, já que os sinais nessa direção não se encontram nem mesmo no Instrumentum laboris, apresentado na manhã dessa terça-feira [23 de junho] no Vaticano pelo cardeal Lorenzo Baldisseri (secretário-geral do Sínodo), pelo cardeal Péter Erdö (arcebispo de Esztergom-Budapeste, relator-geral da assembleia ordinária do Sínodo) e por Dom Bruno Forte (arcebispo de Chieti-Vasto, secretário especial da assembleia ordinária do Sínodo).

Naturalmente, tudo permanece em aberto. O Instrumentum laboris é o "documento de trabalho", não a conclusão do Sínodo. No entanto, algumas questões já parecem estar, aparentemente, bem definidas, e, portanto, realisticamente, parece difícil que a discussão possa ser reaberta, embora o documento, em alguns pontos, mostra-se ambíguo, se não contraditório. Características esperadas, porque o Instrumentum laboris é o fruto e a síntese das respostas ao questionário preparatório por parte dos fiéis de todo o mundo (chegaram 99 respostas por parte dos Sínodos dos Igrejas orientais católicas, Conferências Episcopais, Dicastérios da Cúria Romana e congregações religiosas, mais 359 diretamente de paróquias, associações eclesiais, grupos espontâneos de fiéis e crentes individuais, especifica Baldisseri), que, evidentemente, não pensam do mesmo modo.

E também porque, como já havia surgido durante a assembleia extraordinária de outubro de 2014, são os próprios bispos que estão divididos.

A situação: o magistério de um lado, os fiéis, de outro

A primeira parte do Instrumentum laboris – que é composto pelo Relatório final do Sínodo de outubro de 2014 e por uma série de novos parágrafos elaborados e acrescentados depois do novo questionário – é a fotografia da situação existente, em que o magistério sobre a família e os comportamentos dos fiéis estão nitidamente distantes.

"Só uma minoria vive, defende e propõe o ensinamento da Igreja Católica sobre o matrimônio e a família, reconhecendo nele a bondade do projeto criador de Deus", lê-se no documento. "Os matrimônios, religiosos ou não, diminuem, e o número das separações e dos divórcios está em crescimento".

Assinala-se "o medo dos jovens a assumir compromissos definitivos, como o de constituir uma família. Mais em geral, constata-se a difusão de um individualismo extremo que coloca no centro a satisfação de desejos que não levam à plena realização da pessoa. O desenvolvimento da sociedade do consumo separou sexualidade e procriação. Essa também é uma das causas da crescente queda da natalidade. Em alguns contextos, ela está conectada com a pobreza ou com a impossibilidade de cuidar da prole; em outros, à dificuldade de querer assumir responsabilidades e à percepção de que os filhos poderiam limitar a livre expansão de si".

As causas: contradições culturais e sociais

As causas dessa situação, segundo o documento, são de natureza tanto cultural ("contradições culturais") quanto social ("contradições sociais").

A família "continua sendo imaginada como o porto seguro dos afetos mais íntimos e gratificantes, mas as tensões induzidas por uma exasperada cultura individualista da posse e do gozo geram, em seu interior, dinâmicas de intolerância e de agressividade, às vezes ingovernáveis", lê-se no Instrumentum laboris.

Por exemplo, "uma certa visão do feminismo, que considera a maternidade como um pretexto para a exploração da mulher e um obstáculo para a sua plena realização"; "a crescente tendência a conceber a geração de um filho como um instrumento para a afirmação de si, a ser obtida com qualquer meio"; "as teorias segundo as quais a identidade pessoal e a intimidade afetiva devem se afirmar em uma dimensão radicalmente desvinculada da diversidade biológica entre masculino e feminino", ou aquela que a Igreja Católica chama de "teoria do gênero"; as tentativas de querer reconhecer a "um casal instituído independentemente da diferença sexual a mesma titularidade da relação matrimonial intrinsecamente ligada aos papéis paterno e materno, definidos a partir da biologia da geração", portanto, o reconhecimento dos casamentos gays.

Mas o que mina a família também são causas de natureza sociopolítica e socioeconômica: guerras, "zeramento dos recursos", "processos migratórios", "políticas econômicas irresponsáveis", políticas sociais pouco atentas à família ("crescentes ônus da manutenção dos filhos", "agravamento das tarefas subsidiárias do cuidado social dos doentes e dos idosos") e, obviamente, a crise econômica geral, isto é, "uma conjuntura econômica desfavorável, de natureza bastante ambígua, e o crescente fenômeno da acumulação de riqueza nas mãos de poucos e do desvio de recursos que deveriam ser destinados ao projeto familiar", que gera, dentre outras coisas, "salários insuficientes, desemprego, insegurança econômica, falta de um trabalho digno e de segurança no posto de trabalho, tráfico de pessoas humanas e escravidão".

Família: frágil e forte

Apesar dessa situação de enorme "fragilidade", a família mantém intacta a sua "força": ela continua sendo "o pilar fundamental e irrenunciável do viver social" e o projeto de Deus para os seres humanos, já que "o homem e a mulher como casal são imagem de Deus".

Justamente por isso, continua o Instrumentum laboris, ela deve ser apoiada, também em relação àquelas situações particulares, das quais a família se encarrega: a presença de pessoas idosas e doentes (às vezes em fase terminal) e de pessoas com deficiência, a "viuvez".

Uma atenção particular é dedicada pelo documento ao "papel das mulheres", contradizendo parcialmente o ataque inicial ao "feminismo", identificado entre as causas da crise.

"Nos países ocidentais – afirma-se – a emancipação feminina requer um repensamento das tarefas dos cônjuges na sua reciprocidade e na comum responsabilidade para com a vida familiar. Nos países em vias de desenvolvimento, à exploração e à violência exercidas contra o corpo das mulheres e à fadiga imposta a elas também durante a gravidez, muitas vezes se acrescentam abortos e esterilizações forçadas, além das consequências extremamente negativas de práticas relacionadas com a procriação (por exemplo, aluguel do útero ou mercado de gametas embrionários). Nos países avançados, o desejo pelo filho 'a todo o custo' não levou a relações familiares mais felizes e sólidas, mas, em muitos casos, agravou de fato a desigualdade entre mulheres e homens. A esterilidade da mulher representa, segundo os preconceitos presentes em diferentes culturas, uma condição socialmente discriminante".

A Igreja poderia desempenhar uma função positiva, porque "pode contribuir para o reconhecimento do papel determinante das mulheres" com "uma maior valorização da sua responsabilidade na Igreja: a sua intervenção nos processos decisionais; a sua participação, não só formal, no governo de algumas instituições; o seu envolvimento na formação dos ministros ordenados".

Contudo, não se entende, nesse ponto, por que o caminho da Igreja nessa direção está bastante desacelerado, se não até parado.

Matrimônio natural, indissolúvel e procriativo

O anúncio e a pastoral da Igreja para a família, portanto, devem se mover ao longo dos trilhos tradicionais: matrimônio "natural" entre um homem e uma mulher, "indissolúvel" e "procriativo". Atualizando a linguagem, para que seja "capaz de alcançar a todos" (e o Instrumentum laboris insiste muito na formação dos padres, dos religiosos e das próprias famílias, que devem ser mais envolvidas e responsabilizadas nas tarefas pastorais, até mesmo para combater aqueles "projetos formativos impostos pela autoridade pública, que apresentam conteúdos em contraste com a visão propriamente humana e cristã", em relação aos quais deve ser "afirmado decididamente o direito à objeção de consciência por parte dos educadores"). E, partindo "das situações concretas das famílias de hoje", para que seja um anúncio "que dê esperança e que não pressione".
Sagrada Família Africana

Uma única família

A impressão que se obtém do Instrumentum laboris, porém, é de que a "pluralidade das situações concretas" que "os agentes de pastoral deverão levar em conta" devem ser remetidas à unidade já codificada pelo magistério.

Coabitação e casamentos civis, especialmente se não motivados por "preconceitos ou resistências contra a união sacramental", devem ser orientados ao matrimônio religioso ("inserir um caminho de crescimento aberto à possibilidade do matrimônio sacramental", "através da dinâmica pastoral das relações pessoais, é possível dar concretude a uma sadia pedagogia, que, animada pela graça e de modo respeitoso, favoreça a abertura gradual das mentes e dos corações à plenitude do plano de Deus").

Os casais homossexuais, como, aliás, já aconteceu no Relatório final da assembleia sinodal de outubro de 2014 (bastante atrasada em relação à Relatio post disceptationem da metade da assembleia), simplesmente não existem: "Reitera-se – afirma-se – que cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com sensibilidade e delicadeza, seja na Igreja, seja na sociedade. Seria desejável que os projetos pastorais diocesanos reservassem uma atenção específica ao acompanhamento das famílias em que vivem pessoas com tendência homossexual e dessas mesmas pessoas".

Nenhuma menção aos casais homossexuais: eles existem na sociedade, não para a Igreja. Obviamente, a adoção e a educação de um filho "deve se basear na diferença sexual, assim como a procriação". Nada de adoção para os casais gays, portanto, nem mesmo para os solteiros.

E, obviamente, é reiterada a condenação do aborto (ou, melhor, defende-se com força a objeção de consciência) e da eutanásia. "A Igreja, acima de tudo, afirma o caráter sagrado e inviolável da vida humana e se empenha concretamente em favor dela. Graças às suas instituições, oferece consultoria às gestantes, apoia as mães solteiras, assiste as crianças abandonadas, está perto daquelas que sofreram o aborto. Àqueles que atuam nas estruturas de saúde, recorda-se a obrigação moral da objeção de consciência. Do mesmo modo, a Igreja não só sente a urgência de afirmar o direito à morte natural, evitando a obstinação terapêutica e a eutanásia, mas também cuida dos idosos, protege as pessoas com deficiência, assiste os doentes terminais, conforta os moribundos."

Ambiguidades e frestas: contracepção e divorciados em segunda união

Embora seja reafirmada "a riqueza de sabedoria contida na Humanae vitae" (a encíclica de Paulo VI que condenava a contracepção artificial), sobre o tema da contracepção, o Instrumentum laboris escolhe uma formulação bastante ambígua, mas que não encerra definitivamente o discurso, indicando "dois polos a serem conjugados constantemente. Por um lado, o papel da consciência entendida como voz de Deus que ressoa no coração humano educado a ouvi-la; por outro, a indicação moral objetiva, que impede que se considere a generatividade como uma realidade a ser decidida arbitrariamente, independentemente do desígnio divino sobre a procriação humana. Quando prevalece a referência ao polo subjetivo, corre-se o facilmente risco de escolhas egoístas; no outro caso, a norma moral é percebida como um peso insuportável, que não responde às exigências e às possibilidades da pessoa. A conjugação dos dois aspectos, vivida com o acompanhamento de um guia espiritual competente, poderá ajudar os cônjuges a fazer escolhas plenamente humanizantes e em conformidade com a vontade do Senhor".

Assim como sobre a situação dos divorciados em segunda união, o documento deixa em aberto uma série de caminhos, alguns em contradição entre si, todos, no entanto, com uma taxa de ambiguidade que, talvez, só será dissolvida na assembleia de outubro próximo.

"Requer-se de muitas partes que a atenção e o acompanhamento em relação aos divorciados recasados civilmente sejam orientados a uma integração cada vez maior deles na vida da comunidade cristã, levando em conta a diversidade das situações de partida", lê-se no Instrumentum laboris.

"Devem ser repensadas as formas de exclusão atualmente praticadas no campo litúrgico-pastoral" – portanto, dentre outras coisas, a exclusão dos sacramentos – e "propõe-se que se reflita sobre a oportunidade de derrubar essas exclusões", tendo sempre em mente o princípio da "gradualidade".

A via mestra continha sendo a da "racionalização dos procedimentos" para "o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial". Mas também há outros caminhos. "Há um acordo comum – afirma-se – sobre a hipótese de um itinerário de reconciliação ou via penitencial, sob a autoridade do bispo, para os fiéis divorciados recasados civilmente, que se encontram em situação de coabitação irreversível [...] Sugere-se um percurso de tomada de consciência do fracasso e das feridas por ele produzidas, com arrependimento, verificação da eventual nulidade do matrimônio, empenho na comunhão espiritual e decisão de viver em continência. Outros, por via penitencial, entendem um processo de esclarecimento e de nova reorientação, depois do fracasso vivido, acompanhado por um presbítero nomeado para isso. Esse processo deveria conduzir o interessado a um julgamento honesto sobre a própria condição, em que o presbítero também possa amadurecer a sua avaliação, para poder fazer uso do poder de ligar e de desligar de modo adequado à situação."

A práxis das Igrejas Ortodoxas – abençoar uma segunda união depois de um período de penitência – é referida, mas sem se expressar qualquer juízo.

"A plena integração dos divorciados em segunda união é a meta", disse Dom Bruno Forte durante a coletiva de imprensa. "Em algumas situações, se poderá chegar à comunhão? Sobre isso, o Sínodo deverá responder."

Traduzido do italiano por Moisés Sbardelotto. Para acessar a versão original deste artigo, clique aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 25 de junho de 2015 – Internet: clique aqui.