«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,1-23


1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.
2 Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
3 E disse-lhes muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear.
4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
5 Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda.
6 Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7 Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
8 Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.
9 Quem tem ouvidos, ouça!».
10 Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: «Por que tu falas ao povo em parábolas?».
11 Jesus respondeu: «Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus,
mas a eles não é dado.
12 Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem.
13 É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não vêem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.
14 Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: “Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver.
15 Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure”.
16 Felizes sois vós, porque vossos olhos vêem e vossos ouvidos ouvem.
17 Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.
18 Ouvi, portanto, a parábola do semeador:
19 Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20 A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria;
21 mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
22 A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto.
23 A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta.»

Marcelo Guimarães & José Antonio Pagola
"O Semeador"
Pintura de Albin Egger-Lienz (1868–1926), de 1903
Museum Schloß Bruck, Lienz

Para que Jesus veio ao mundo

Começa a terceira parte do Evangelho Segundo Mateus. É o chamado “terceiro livro” de Mateus. Após ter anunciado a NOVA LEI ao povo de Deus (Mt 5 – 7) e de tê-lo enviado em missão. Jesus anuncia por que e para que veio ao mundo. No capítulo 13 do seu Evangelho, Mateus apresenta-nos sete parábolas, através das quais Jesus revela aos discípulos a realidade do “Reino”: são as “parábolas do Reino”. A “parábola” é uma imagem ou comparação, através da qual se ilustra uma determinada mensagem ou ensinamento.

A passagem evangélica deste domingo começa com uma imagem significativa, a de Jesus mestre que, sentado numa barca – símbolo da comunidade cristã –, ensina a multidão. Em seguida, a figura de Jesus ensinando se confunde com seu próprio ensinamento: ele é o SEMEADOR que saiu a semear e que, depois de muitas peripécias da palavra/semente, consegue ter êxito em sua tarefa e colher frutos. O Evangelho se conclui com um diálogo de Jesus com os discípulos para explicar por que nem todos conseguem compreender e ter acesso a esta palavra.

Jesus não falou somente para as pessoas que o acolhiam e se convertiam. Comunicou-se com gente aberta e gente fechada, colocou sua semente em terreno fértil e em terreno que não apresentava boas condições para o plantio. Há uma atitude de absoluta gratuidade e abertura da parte de Jesus, uma decisão de amor. Jesus abre o anúncio para todos, mas não força ninguém. E se alguém não acolhe a sua Palavra, não cria vínculo com Deus.

No centro do anúncio de Jesus está a própria Palavra de Deus, compreendida mais como um ACONTECIMENTO NA VIDA das pessoas do que como uma mensagem ou uma doutrina. Como acontecimento, a Palavra pede posições, espera reações, gera outros acontecimentos e outras palavras.

A liturgia dominical, como lugar de escuta da Palavra de Deus, pede de nós a mesma atitude dos discípulos de viver o HOJE DE DEUS e de poder participar de um acontecimento que muitas pessoas desejariam. Escutar a Palavra de Deus e fazê-la frutificar torna-se, assim, um momento de graça e de salvação.

Semear

Ao terminar o relato da parábola do semeador, Jesus faz esta chamada: «Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!». Pede-nos que prestemos muita atenção à parábola. Mas, em que temos de refletir? No semeador? Na semente? Nos diferentes terrenos?

Tradicionalmente, os cristãos têm se fixado quase exclusivamente nos terrenos em que cai a semente, para rever qual é a nossa atitude ao escutar o Evangelho. No entanto é importante prestar também atenção ao semeador e ao seu modo de semear.

É a primeira coisa que diz o relato: «Saiu o semeador a semear». Age com uma confiança surpreendente. Semeia de forma abundante. A semente cai e cai por todas as partes, inclusive onde parece difícil que possa germinar.

Às pessoas não lhes é difícil identificar o semeador. Assim semeia Jesus a sua mensagem. Veem-no sair todas as manhãs anunciando a Boa Nova de Deus. Semeia a Sua Palavra entre as pessoas simples, que a acolhem, e também entre os escribas e fariseus, que a rejeitam. Nunca se desalenta. A Sua sementeira não será estéril.

Sobrecarregados por uma forte crise religiosa, podemos pensar que o Evangelho perdeu a sua força original e que a mensagem de Jesus já não tem garra para atrair a atenção do homem ou da mulher de hoje. Certamente, não é o momento de «colher» êxitos chamativos, mas de aprender a semear sem nos desalentarmos, com mais humildade e verdade.

Não é o Evangelho o que perdeu força humanizadora; somos nós os que o estamos anunciando com uma fé débil e vacilante. Não é Jesus o que perdeu poder de atração. Somos nós os que o desvirtuamos com as nossas incoerências e contradições.

Papa Francisco diz que, quando um cristão não vive uma adesão forte a Jesus, «depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, falta-lhe força e paixão. E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, apaixonada, não convence ninguém».

Evangelizar não é propagar uma doutrina, mas tornar presente no meio da sociedade e no coração das pessoas a força humanizadora e salvadora de Jesus. E isto não se pode fazer de qualquer forma. O mais decisivo não é o número de pregadores, catequistas e professores de religião, mas a qualidade evangélica que nós cristãos podemos irradiar: o que contagiamos? Indiferença ou fé convicta? Mediocridade ou paixão por uma vida mais humana?

Fontes: GUIMARÃES, Marcelo; CARPANEDO, Penha. Dia do Senhor: guia para as celebrações das comunidades. Tempo Comum – Ano A. São Paulo: Apostolado Litúrgico, Paulinas. 2001, págs. 154-155; MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 10 de julho de 2017 – 17h36 (Horário Centro Europeu) – Internet: aqui

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